Partiu !!!

Partimos de São Paulo  no dia 31 de julho, nosso primeiro trecho foi São Paulo - Nova Iorque, parada na ida e na volta comprando passagem pela American Airlines, então chegamos em NY as 7:00 e tínhamos uma janela ate as 14:30 para embarcar para Paris (destino final desta primeiro etapa).
Brooklyn museum , ao lado da entrtada do jardim botânico

NY tem milhões de opções e a ideia era aproveitar cada segundo lá, para não sair muito da rota e voltar para aeroporto decidimos pelo Jardim Botânico do Brooklyn, que além de ser um lugar que já queríamos ter visitado,  tem entrada franca no dia estávamos lá, terça feira! Perfeito!

É possível caminhar por horas e ir descobrindo o lugar          

 O Jardim Botânico do Brooklyn foi fundado em 1910 ! Ocupa uma grande área no Brooklyn, tanto que cruzamos pelo meio dele indo de uma ponta a outra e na saí da (de frente a uma das entradas do Prospect Park) tivemos que caminhar por 15 minutos para chegar na Flatbush Avenue!
 
O que sempre me encanta nesses lugares, além das plantas claro, é ver as pessoas usufruindo do espaço. Muitas crianças, idosos, pessoas que vão até la pra ler um livro, gente tirando foto, fazendo picnic e estirado no Sol. Vontade de ficar imensa!


Em um dia de muito calor (muitooooo calor!) e um pouco de preocupação para não perdemos o horário do voô só deu para ter uma pequena amostra do lugar que incrível!

 Jardim botânico é um local pra você ir e voltar diversas vezes! Quero voltar o mais rápido o possível. São diversas estufas com jardins tropicais, áridos e mediterrâneos. Um grande centro de pesquisa, educação e observação. Tudo super bem cuidado, acessível, cheio de história...vale muito a visita mesmo pra que nem é "louco das plantas".

  

 

 Após essa caminhada chegamos no Grand Army Plaza e a vegetação nos surpreendeu, assim como as atividades na área externa da Biblioteca do Brooklyn. Como é bom ver as pessoas nas ruas!

Brooklyn é cheio de cantinhos e lugarzinhos únicos
Cheio de vasinhos pela calçada, moraria fácil aí =)
Telhadão verde, coisa linda!
 
 Fala sério que lugar delícia!

Próxima parada: Paris!

Quando cortar

Imagine a seguinte história:

Um espaço de mata nativa esta sendo tomado por uma planta que silenciosamente se estabeleceu, gerando milhares de novas plantas, que irão gerar milhares de novas plantas. Neste processo devido a sua adaptação, crescimento rápido e sucesso na germinação tornaram-se capazes de se desenvolver em qualquer condição, as vezes até em cima de outras planta. Junto a isto a fauna (generalista) se adapta e se alimenta de seus frutos tornando sua distribuição mais abrangente.

Diante deste quadro você teria alguma dúvida do que fazer? Este assunto não é polêmico pois não há questionamentos ou dúvidas sobre qual atitude tomar, esta planta invasora deve ser removida!

Não podemos nos permitir não tomar nenhuma atitude, há a necessidade de restabelecer o equilíbrio...a planta invadiu por ação do homem e a natureza precisa que o homem aja para conseguir vencer a batalha.

Neste caso julgamentos errados levam a silenciosa e tenebrosa extinção de espécies e perda da biodiversidade da flora e, consequentemente, da fauna. Exemplo prático: vão embora o tiê, o tangará, o tucano de bico verde e tomam conta aves generalistas ... A paisagem fica homogênea...

Esta história não precisa ser imaginada já que está acontecendo no parque Trianon, em plena Avenida Paulista em São Paulo. As palmeiras Seafórtias foram amplamente usadas no paisagismo, dispersaram e hoje ocupam o parque aos montes, tirando espaço do Palmito Juçara, palmeira nativa e ameaçada de extinção...além de outras plantas.

A medida a ser tomada: cortar as palmerias Seafórtias (Archontophoenix cunninghamii) já devidamente identificadas e demarcadas para tal....perfeito! Sem questionamentos certo? Bom...nos últimos dias  temos visto cada vez mais opiniões que  não levam em conta nenhum embasamento técnico, apenas observações leigas de  uma história mal contada e essa reação equivocada (até mesmo de profissionais da área) leva em conta a estética do parque ...


Enquanto o paisagismo brasileiro levar em conta a estética (que culturalmente prevalece as plantas exóticas..e muitas invasoras) vamos ficando para trás ... vamos fazendo jardins "bonitinhos" mas que em nada contribuem para o meio, seja ele natural ou urbano.

Esse é só um exemplo, dentre tantos outros, que estão silenciosamente se espalhando, trazendo prejuízos de todas as formas...Se nada for feito em um futuro não distante teremos uma só paisagem de Norte a Sul, homogênea e sem graça..sem vida..mas "esteticamente ok!".

P.S: para não ficar dúvida, a Seafórtia é invasora sim, e não causa problemas só no Brasil, está presente na lista da "Global Invasive Species Database "
http://www.iucngisd.org/gisd/speciesname/Archontophoenix+cunninghamiana

Referências:
- "Designing the sustainable site" Heather Venhaus - Capítulo 7: Sustainable Solutions: Invasive Species

- "Amargo é o remédio. Porque defendo retirar as palmeiras do invasoras do Parque Trianom" - Ricardo Cardim
https://arvoresdesaopaulo.wordpress.com/2017/09/14/amargo-e-o-remedio-porque-defendo-retirar-as-palmeiras-invasoras-do-parque-trianon/


E ai, pra onde vamos?

Tudo começou em 2011 .. 2012 ... bastou aprofundar um pouquinho as pesquisas por referências que nos deparamos pela primeira vez com imagens de um jardim que mudaria tudo para sempre ...o High Line Park.

Sobre o High Line dá para escrever uns 20 posts .. mas pra resumir a história ...é um parque linear que foi construído em uma antiga linha ferroviária elevada em Manhattan, NY.  O lugar é incrível, o projeto arquitetônico fantástico, a história e concepção inspiradores..e o jardim? Ahh o jardim..uma combinação perfeita de plantas nativas (e algumas exóticas também) arranjadas de forma que parece que sempre estiveram ali ( e muitas delas já estavam mesmo) ... "matinhos" que facilmente seriam subjugados...ignorados e arrancados sem dó, mas que ali podem apresentar toda sua beleza e valor.

A pergunta imediata...quem foi o gênio que fez isso???

Diller Scofidio + Renfro (https://dsrny.com/) e "o cara" do jardim: Piet Oudolf (https://oudolf.com/) ...a partir daí foi devorar informação...artigos, livros..quanto mais conhecimento mais dúvidas e curiosidades em um caminho sem volta... muitos jardins que achava lindo agora acho super sem graça...o fascínio com os jardins naturalistas e lista de lugares que comecei a sonhar em conhecer foi só crescendo.

Trilhado o caminho...hora de escolher o destino...
Fizemos as malas pela primeira vez em 2016 ... primeiro lugar da lista (ambiciosa!) de lugares para visitar: o tal High Line!